segunda-feira, setembro 06, 2004

Piscina de EIRAS "Rui Abreu"

"Rui Abreu permanece na memória de Coimbra De duas piscinas com mais de 30 anos, Coimbra passa, num curto espaço de tempo, a beneficiar de quase 10 infra-estruturas modernas para a prática da natação e das diferentes modalidades aquáticas. O complexo da Pedrulha, resultado de um investimento de três milhões de euros, é o primeiro a abrir as portas. A inauguração de ontem à tarde, para além dos convidados, despertou a curiosidade de centenas de popularesEm Janeiro, será Santa Clara/S. Martinho do Bispo. Em Março, segue-se o complexo olímpico a norte do Estádio Cidade de Coimbra, que completa o início de uma nova era na natação de Coimbra, que até há bem pouco tempo contava com duas piscinas com mais 30 anos e está prestes a usufruir de quase uma dezena de espaços – já a contar com as infra-estruturas do parque de campismo e as que vão nascer junto ao rio. Ontem, o dia foi de festa na freguesia de Eiras, com a inauguração do Complexo de Piscinas Rui Abreu, um investimento de três milhões de euros, repartidos entre Câmara Municipal e o Grupo Amorim (vencedor do concurso público internacional).Porque o complexo ganhou o nome da principal figura da natação de Coimbra de todos os tempos, o presidente da Câmara Municipal fez uma comparação entre o valor material e o moral do espaço e não tem dúvidas: «sinto-me muito envergonhado porque o valor desta piscina é muito inferior ao valor de Rui Abreu». Aliás, para Nuno Freitas, vereador do Desporto (que esta semana deverá ver a sua situação definida, na sequência da nomeação para presidir ao Instituto da Droga e Toxicodependência), o atleta foi e continua a ser «o rei dos atletas de Coimbra».Aproveitando a presença de dois membros do Governo – o secretário de Estado da Administração Educativo, José Canavarro, e o secretário de Estado da Administração Interna, Paulo Pereira Coelho – Carlos Encarnação pediu-lhes que dêem uma ajuda à aprovação da candidatura de financiamento comunitário, cujas verbas se destinam à concretização dos presentes projectos de contrapartida ao Eurostadium. «Espero da parte de vossas excelências a defesa desta nossa posição», sublinhou o autarca.Com as intervenções em marcha, o edil acredita que se criam condições de recuperar exemplos do passado e «fazer novos campeões», por um lado. Por outro, e para lá do aspecto competitivo, destaca-se a importância social que a infra-estrutura pode significar para a população em geral e, neste caso, para a de Eiras, em particular. A terceira maior freguesia do concelho «está muito cara, mas vale a pena», ressalvou Carlos Encarnação, salientando que «se tem tudo isto agora é porque não tinha nada antes».José Passeiro, presidente da Junta de Eiras, agradeceu a «coragem» da Câmara e não escondeu a satisfação por ver resolvida uma «lacuna grande» da sua freguesia.Mergulho de estreiaEncarnação, que juntamente com alguns dos seus vereadores, nomeadamente Gouveia Monteiro e Manuel Rebanda, não saíram da Pedrulha sem dar umas “braçadas” na nova piscina, realçou que o que aconteceu ontem é nada mais, nada menos do que «um momento particularmente feliz para Coimbra», que coincidiu com a homenagem que «sempre» quis fazer ao nadador. Para a cidade chegou a hora de «sacudir as teias de aranha que tem no sótão», frisou, até porque o desejo é «dar-lhe tudo aquilo que merece e muito mais».Os homens de Coimbra que fazem parte da equipa de Pedro Santana Lopes elogiaram o trabalho que vem sendo desenvolvido pela autarquia. Para Paulo Pereira Coelho, «Coimbra está a mudar», Canavarro, na sua curta intervenção, destacou a importância deste tipo de equipamento para a educação. Família e amigos de Rui Abreu emocionados com homenagemMemórias de um campeão«Um deslumbrante rio de beleza, vigor e vida nascia nas águas da piscina onde nadava». Ao entrar nas novas piscinas da Pedrulha, esta pequena frase de alguém muito próximo do nadador é uma espécie de lição para todos os que mergulham, nadam ou praticam qualquer actividade no complexo.Quem assistiu à inauguração do Complexo de Piscinas Rui Abreu não ficou indiferente à comoção da família do malogrado nadador, nomeadamente da mãe, Mercedes Abreu, que abraçada à bandeira de Portugal que cobria a lápide, agradeceu a todos os que ainda se recordam e falam com carinho e admiração do filho, mesmo passados mais de 20 anos sobre a sua morte.«Estou feliz, muito sinceramente nunca pensei. Estou muito grata mesmo», confessou no final da cerimónia, onde também marcaram presença o pai e as duas irmãs.Amigos e adversários do atleta, falecido com apenas 21 anos, nos Estados Unidos, também disseram “presente”, muitos deles chegados de pontos do país distantes. Paulo Frichknecht marcou, juntamente com Rui Abreu, uma era de ouro da natação nacional, na década de 70. Anos que apesar de longínquos continuam bem vivos na memória do ex-atleta e treinador, que ontem deu um dos testemunhos mais emocionados da tarde. Ambos nascidos no ano de 1961, tiveram um percurso coincidente, que se iniciou quando tinham oito anos. No entanto, apenas se cruzariam em 1972, aquando a participação numa selecção de jovens, que antecedeu em quatro anos a primeira experiência olímpica.Com o primeiro atleta português que ultrapassou a barreira do um minuto nos 100 metros costas, Paulo Frichknecht manteve uma «convivência sadia», intensificada nos tempos em viveram nos Estados Unidos. O telefone foi um instrumento fundamental nessa altura para que Paulo, em Los Angeles, e Rui, em Cleveland, mantivessem o contacto e reforçassem uma amizade que nem a competição abalou.O calendário marca já mais de duas décadas de ausência do nadador, mas para Paulo Frichknecht «o Rui é um campeão. Só um campeão traria tanta gente, 22 anos depois de partir, tempo superior ao tempo que esteve entre nós». É por isso que o ex-atleta olímpico insiste que «quem morreu foi parte de quem com ele conviveu». «O mais importante nesta altura foi o exemplo de vida que nos deu como pessoa, amigo e atleta», concluiu.Rui Pratas, também colega do nadador que dá nome ao Complexo de Piscinas da Pedrulha, recordou o «amigo fraterno, que o que queria para ele queria para os amigos». Dirigindo-se aos mais jovens, a quem dá as primeiras braçadas na modalidade deixou um conselho: «o mais importante é a amizade que devem cultivar no vosso desempenho desportivo». "


Não podia deixar de por aqui este texto do Diario de COimbra. Fico muito contente por terem decidido chamar a piscina de Rui Abreu :)

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Excellent, love it! »

2 de março de 2007 às 11:17  

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